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Mensagens

Entre o medo da vida e o medo pela vida

   Eu hoje faço sete anos e mais uma hora     As redes sociais lembraram-me desta memória.  Doeu-me o peito com uma intensidade que prova que as emoções estão também no coração e não só no nosso cérebro.  Faz hoje sete anos anos que senti o maior medo que um ser humano pode sentir, um medo da vida e um medo pela vida.  Um medo da vida porque tamanha dor me fez sentir o imaginável... sentir que continuar a viver não era possível. A sensação de que o que vinha a seguir era impossível suportar física e emocionalmente de tal forma que então era o ponto final. Normalmente um medo impulsiona-nos para a procura da sobrevivência, aquele medo não, era pesado, espesso, escuro mas ao mesmo tempo translúcido e turvo. Era confuso e muito ruidoso. Hoje em dia pronunciar a palavra suicídio ainda me traz lágrimas aos olhos quando penso que um dia grávida de 39 semanas isso me passou pela cabeça, sem premeditação, a uma velocidade que quase não consegui deter.  E ...
Mensagens recentes

A bata azul, a branca a amarela ou a arco íris

Nestes dias peculiares muito se tem escrito essencialmente sobre o mesmo, com muita carga emocional associada ao medo, à incerteza. Muito também se fala sobre quem está na frente da batalha. Hoje saí do trabalho e senti, como muitas vezes sinto, a alegria em trabalhar, ser útil, no meu caso particular por saber que estou do lado certo da batalha... Já aqui volto a este pensamento. A amizade não tem profissão e não gasto tempo em guerras de classes profissionais, tenho amigos  enfermeiros, assistentes sociais, médicos, auxiliares, farmacêuticos, nutricionistas... podia continuar. Mas que fique muito claro, quando se reclama melhorias nas condições de trabalho ou aumentos de salário não se está a dizer que não gosto do que faço ou gostaria de ter outra profissão. Passo a explicar com uns poucos exemplos: Quando um médico reclama melhoria no salário, não é porque quer ganhar tanto como um juiz ou um director de uma empresa como a GALP ou EDP por exemplo, é porque muita...

A check list de são valentim

O Amor não é simples nem eterno, não tem sempre o mesmo glamour. Não tem a gratificação imediata que a sociedade de informação e a realidade virtual nos embriaga e vicia. O amor aparece explode na nossa cara por vezes em forma de paixão de desejo e com a sensação de que é para sempre, e depois aparece na relação um lado que nunca foi dado a conhecer de qualquer uma das partes, o mundo vacila, os pilares abanam .... e .... acontece de novo, explode novamente com menos ou mais força, mas com a força necessária de reacender a chama e recomeçar, e o "para sempre" mantém-se... O ciclo repete-se muitas ou poucas vezes quase como um ritual, e o para sempre pode não acontecer. Eu sei amar, tenho a certeza, já senti o amor a saltar do peito, já fez barulho em forma de musica na minha cabeça, capaz de levantar os meus pés do chão  e a fazer-me levitar, também já senti o amor silencioso que de forma segura e madura, que entende que uma relação não pode viver só de paixão e é preciso ...

Hoje vi morrer Alguém

“Hoje vi morrer alguém” Hoje vi morrer alguém, não é a primeira vez nem a segunda, mas desta vez foi diferente, também não foi pela alma desta pessoa que deixou o mundo carnal… Foi diferente porque o tempo que separa a ultima vez que vi morrer alguém e hoje, é realmente muito, e diferente porque o meu coração está diferente e até os meus olhos, têm uma forma de ver que não se pode comparar. Ainda no tempo de estudante fui a primeira estagiária da turma a perder um doente. Estava eu muito jovem aterrorizada com a ideia de tocar num corpo sem vida e como fica um corpo sem alma, como muda? E eu tinha treinado estudado e praticado para a prevenção e nada me tinha preparado para outra coisa que não fosse a recuperação da autonomia na medida do possível, via uma vida a esvair-se numa doença fatal súbita e violenta.   Foi a cerca de 25 anos Eu recebi o turno de pé, como era obrigatório, não era o primeiro dia, mas era uma segunda feira, tinha passado o ...